O Jornal de Letras dedica no seu numero atual, JL 1403, várias páginas ao 14.º Congresso da AIL, a ter lugar no s dias 22 a 26 de julho no Porto.

Esta edição do JL inclui  textos de Carlos Ascenso André, Sabrina Sedlmayer e Joaquim Coelho Ramos; para além de inquéritos, com respostas de Lídia Jorge, Manuel Alegre, Helder Macedo, Elias Torres Feijó, Roberto Vecchi e Carlos Reis.

Já está disponível o programa provisório do 14.º Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, que decorre entre os dias 22 e 26 de julho de 2024 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

O encontro reúne académicos de renome que apresentarão as novidades na cultura e na investigação em e de língua portuguesa nas 56 sessões de trabalho e nas sessões plenárias a ter lugar durante o evento.

Após a Sessão de abertura, no dia 22, Roberto Vecchi proferirá a Conferência inaugural:«Significado do 25 de Abril de 1974, no panorama global do mundo de língua portuguesa». Seguirá a presentação da revista Camões e da nova Plataforma 9.

A segunda jornada de trabalhos terá as sessões plenárias de «Evocação de Cleonice Berardinelli», moderada por Helder Macedo e com a participação de Gilda Santos e Teresa Cristina Cerdeira; e uma sessão sobre «Mulheres e homens de letras do Porto», moderada por Isabel Pires de Lima e com a participação de Ana Paula Coutinho, Carlos Mendes de Sousa, Ida Alves, Isabel Cristina Rodrigues e Rosa Maria Martelo.

No dia 24 haverá as sessões plenárias «Vozes femininas das Literaturas africanas de Língua portuguesa: Noémia de Sousa, Alda Lara, Alda Espírito Santo e Orlanda Amarílis», com Ana Paula Tavares, Doris Wieser e Inocência da Mata; e «Diálogo entre escritas: Lídia Jorge e Mário Cláudio», com moderação de Sabrina Sedlmayer e Vicenzo Russo.

A Conferência de encerramento «O mundo de língua portuguesa e a língua portuguesa no mundo», por Augusto Santos Silva, terá lugar no dia 26.

A versão do programa em PDF está acessível em: https://ailporto2024.pt/programa/.

Corpo. Matéria de composição-decomposição, de estar, de ser, de ocupar, de inteirar, agir, interagir e de integrar-se no e com o mundo. Ser, todo início e todo fim. Tudo começa e termina nele. O corpo. O que significa um corpo “belo”? O que constitui um corpo “feio”? Pureza, limpeza, beleza, impurezas, sujeiras, feiuras. O corpo completo que, no mais das vezes, atrai-nos. O corpo incompleto, de algum modo, que, no mais das vezes, repudiamos. Os corpos desnormatizados, diversos, que se propõem “outros” que nos causam pulsão, repulsão, MEDO.   No corpo, seus desenhos, seus tornos e contornos, sua força, sua fragilidade sempre no enfrentamento do e com o mundo. Formas de ser e existir individualmente, formas de ser e existir coletivamente. O corpo familiar, o corpo estranho, meu corpo, minha pele, meu rosto, minha voz, tudo em mim é familiar. O resto, /.../o que não está em mim, refere-se a um corpo estranho/.../. Existem então os corpos estranhos porque não são o meu corpo, os corpos estrangeiros porque são de outros lugares, os corpos estranhos porque são bizarros (Milon, 2012, pp. 271-274).

Já desde algum tempo sabe-se que o corpo, ou sua designação – sua corporeidade, seu modo químico e físico de ser e estar –, traduz de imediato um fato do imaginário social. De uma sociedade para a outra, a caracterização da relação do homem com o corpo e a definição dos constituintes da carne do indivíduo são dados culturais cuja variabilidade é infinita (LE BRETON, 2012, p. 30). Desse modo, estabelece-se que no fundamento de qualquer prática social, como mediador privilegiado e pivô da presença humana, o corpo está no cruzamento de todas as instâncias da cultura, ponto de atribuição por excelência do campo simbólico (Le Breton, 2012, p. 31). Interessa muito aqui, esta noção de que o corpo não existe em estado natural, sempre está compreendido na trama social de sentidos, mesmo em suas manifestações aparentes de insurreição, quando provisoriamente uma ruptura se instala na transparência da relação física com o mundo /.../ (ibidem, p. 32).  Então, acordados (ou convencidos?) de que o corpo é uma convenção-definição-conceituação sociocultural – inclusive naquilo que se pode dizer que é “em sua natureza” –, devemos aqui estar atentos ao seu processo de “trânsito” em e para os percalços da arte. Do corpo para a arte, dos corpos nas artes. Propomos a atenção aos corpos tecidos, tramados, nas narrativas, na literatura. Corpo-texto.

Toda arte, antes de ser arte precisa ser, deve ser, uma convenção de ficção, de ficcionalidade, fabulação, imaginação.  Entretanto, nos termos aqui postos, toda “realidade” está em direto tom com a ficcionalidade e vice-versa. Narrativa-corpo-arte-língua-ficção. Não há “pureza” nem em uma nem em outra. Realidade e arte compõem-se basicamente nas subjetividades, nas impressões, que, por sua vez, compõem-se de padrões e convenções socioculturais. Daí que as percepções, sensações, funções, interpretações e representações do corpo são variáveis e múltiplas conformes variabilidade e multiplicidade das sociedades e culturas. Para a arte é possível dizer, de certo modo, o mesmo. O fundamental aqui é notar que sociedades e culturas nessa engrenagem também definem o “aceitável” e o “inaceitável” para o ser e estar dos corpos e das artes. O que nossa sociedade e cultura cultua do corpo e no corpo pode ser o que outras sociedades e culturas abominem. E tanto no repertório do “admissível” quanto no do “inadmissível” corporal, as dissidências se postam, alargam e diluem as fronteiras. Tensões entre o erótico e o pornô; entre o desejo e a repulsa; entre o prazer e a dor; entre o sadismo e o masoquismo; entre o constrangimento e o riso; entre o normativo-padronizado-imutável e o diluído, performático, distendido, revisto, inquieto, em trânsito, disruptivo.

O significado de Veredas, remete a “caminho estreito”, sendas, azinhagas. Veredas são os caminhos que por vezes evitamos, pois incluem trilhas estreitas, passagens alternativas de difícil acesso. Desse modo, o título de nossa revista é motivador para trabalhar o corpo e suas transformações, trafegando por vezes por caminhos de difícil acesso, desafiadores de nossa energia e coragem.  Assim como o corpo humano é uma estrutura complexa, constituída por trilhões de células, a noção de corpo aqui apresentada, revela-se igualmente complexa e, ao mesmo tempo, desafiadora da criatividade de nossos colaboradores, que vêm na literatura múltiplas possibilidades de conviver, narrar, criar e experienciar novas formas de compreender o mundo, através não só do grande sertão, mas também através de suas veredas, ou seja, não somente pela estrada real e iluminada, mas pelos caminhos árduos, alternativos e tortuosos, ou seja, pelas veredas.

Assim, o Número 41 da Revista Veredas, 2024.02, convida a todos, todas e todos os gêneros para comporem conosco estas Veredas pondo em questão as relações do corpo, da corporeidade, com as múltiplas formas de vê-lo, senti-lo, percebê-lo e interpretá-lo, narrá-lo e lê-lo – nas dimensões e limites do estético, do lúdico, do cognitivo, do catártico e do normativo aos limites do transformado – nas narrativas atuais das culturas e literaturas lusófonas.

Referências:

- LE BRETON, David. A Sociologia do Corpo. Trad. Sonia Fuhrmann. 6ª.ed. – Petrópolis: Vozes, 2012.  

- MILON, Alain. Corpo Estranho/Estranho e Familiar. IN: MARZANO Michaela. Dicionário do Corpo. Trad. Lúcia Pereira de Souza...[at al.]. São Paulo: Edições Loyola, 2012. p. 1090.

Está disponível uma nova edição da Veredas v. 40 (2023): Timor-Leste em foco: estudos sobre língua, literatura e cultura; coordenado por Regina Pires de Brito, Vicente Paulino e Benjamin de Araújo e Corte-Real.

Timor-Leste tem sido, ao longo dos tempos, convocado por autores diversos como uma “terra sândalo” e “terra do sol nascente”, como escreveu Luís de Camões (1572): “Timor, aqui lenho manda, sândalo salutífero e cheiroso, onde vê o sol nascendo”; como uma terra de “babel lorosa'e” (Thomaz, 2002), ou como um “lugar de encontro de culturas” (Menezes, 2006) e, ainda, como espaço “mestiço na língua e na cultura” (Paulino, 2011). É sobre essa realidade, onde “também se fala português” (Brito; Martins, 2004), que apresentamos este dossiê, trazendo por temática Timor-Leste em foco: estudos sobre língua, literatura e cultura.

Este dossiê compõe-se por 12 artigos assinados por estudiosos que revelam diferentes perspectivas e que se dedicam, sobretudo, a questões atenientes aos campos da linguística, literatura e educação. Aos textos selecionados para o Dossiê Timor-Leste em foco: estudos sobre língua, literatura e cultura, somam-se 3 artigos que se agrupam, ao final, no segmento Tema Livre e que completam a unidade do volume, dado que transitam em especificidades do espaço cultural da lusofonia

(da Apresentação)

Acesse esta edição em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/issue/view/42

Estão disponíveis, em acesso aberto, os livros temáticos resultantes do 13.º Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas — AIL, realizado na Università La Sapienza de Roma de 26 a 30 de julho de 2021.

Com o título Mundos de língua portuguesa - olhares cruzados, os volumes, coordenados por Valeria Tocco, Filipa Araújo e Carlos Ascenso André; apresentam a síntese do debate científico que vários especialistas ligados à AIL compartilharam no congresso de Roma Roma.

As contribuições foram divididas em cinco volumes tão homogéneos quanto possível do ponto de vista da macroárea temática. O primeiro, Temas de linguística e de didática, reúne as intervenções que se dedicaram, dum ponto de vista sincrónico ou diacrónico, ao estudo da língua portuguesa nas suas variedades e a questões de ensino, seja de PLE seja de didática da língua materna. O segundo, Reflexões interartes sobre cultura e teoria literária, apresenta aqueles estudos de perspetiva cultural que abordam, transversalmente ao mundo de língua portuguesa, questões de ordem sociológica, antropológica, ecocrítica ou interartística (cinema, teatro, jornalismo, museus, etc.). Neste acervo foram também incluídas as contribuições que tiveram como objeto de estudo a cultura galega. O terceiro volume, Da literatura em Portugal: ficção, poesia, teatro, critica, desenha um rico e complexo percurso diacrónico e metodologicamente variado sobre textos e autores oriundos de Portugal. A figuras, temas, textos de âmbito americano é dedicado, por sua vez, o volume O Brasil em foco: perspetivações literárias e culturais, no qual uma especial atenção é destinada a temas sensíveis como ditadura, violência, racismo, injustiça social. Por fim, Africanidades: antropologia, literatura, cinema, história recolhe aquelas contribuições que, de uma perspetiva histórica, antropológica, sociológica ou literária, abordam e problematizam aspetos da cultura na África que fala (também) português ou da presença cultural africana no Brasil e em Portugal.

(Valeria Tocco, da «Nota», p. 16)

Os volumes estão disponíveis no portal da Imprensa da Universidade de Coimbra, na série Investigação: